Mesmo acompanhando os dashboards do nosso Cyber Defense Center todos os dias, o fechamento deste primeiro quadrimestre nos fez parar para refletir. A mensagem por trás dos números é brutal: durante todo o ano de 2025, a Scunna atuou em 5.056 incidentes graves. Agora, em 2026, bastaram apenas quatro meses para ultrapassarmos a marca de 5.462 ocorrências. Estamos falando de um ritmo três vezes mais acelerado.
A realidade é nua e crua: o mercado corporativo passou os últimos anos romantizando a Inteligência Artificial. Olhamos para a IA apenas como a salvadora da produtividade, esquecendo que o crime organizado também lê as mesmas notícias e usa as mesmas ferramentas. A única diferença é que eles são mais rápidos.
O cibercrime deixou de ser artesanal há muito tempo; hoje, o custo para lançar um ataque em massa é quase nulo. E o que é mais frustrante para quem trabalha na linha de frente da defesa? É ver empresas investindo fortunas para blindar seus sistemas, enquanto o atacante passa direto pela porta da frente, recebendo as boas-vindas do sistema usando credenciais válidas.
Nesta semana, nosso CTO, Ricardo Dastis, resumiu esse cenário na TV Record em uma frase que deve servir de alerta para qualquer conselho administrativo:
“O hacker moderno não hackeia mais, ele simplesmente faz login.”
Com bilhões de dados corporativos expostos em vazamentos globais, a IA do atacante só precisa cruzar informações até achar a senha que um colaborador reaproveitou. O ataque não começa explodindo o firewall; ele começa com um acesso autorizado.
Não dá mais para terceirizar a culpa. Achar que ferramentas isoladas de segurança vão segurar uma onda automatizada de ataques é o equivalente a ir para um tiroteio com uma faca. A sobrevivência de uma operação hoje não depende de quantas ferramentas de segurança estão empilhadas na infraestrutura, mas da velocidade em orquestrar a detecção de uma anomalia e neutralizá-la antes que vire manchete. E isso só acontece com inteligência contínua — exatamente o que um Cyber Defense Center, atuando como Fusion Center, entrega 24 horas por dia.
A nossa provocação para quem senta na cadeira de decisão é muito simples: a estratégia de defesa da sua empresa já entendeu que o jogo agora é máquina contra máquina, ou a operação ainda segue a cartilha de 2025?