Matéria publicada em GZH | Coluna de Humberto Trezzi | 17/03/2026
Especialistas em segurança digital alertam que só no ano passado foram 76 ataques ao sistema financeiro do Brasil, conforme levantamento do Banco Central
O sistema financeiro nacional perdeu mais de R$ 1 bilhão em 2025 por força de ataques hackers. É um número 29% superior ao de 2024. Direcionados ao ecossistema do Pix e às contas de reserva, as ações criminosas combinaram exploração de vulnerabilidades técnicas, comprometimento de credenciais, abuso de acessos privilegiados e a participação de funcionários de bancos. Tudo isso ficou evidenciado em investigações da Polícia Federal que resultaram em diversas prisões de quadrilhas especializadas nesse tipo de golpe, como mostramos em coluna do ano passado.
O resultado dos ataques foi o impacto financeiro direto, interrupções operacionais relevantes e danos reputacionais de longo prazo, alerta Ricardo Dastis, sócio e diretor da Scunna S/A, empresa especializada em defesa cibernética.
Ele considera que 2025 não vivenciou apenas uma escalada no volume ou na sofisticação dos ataques, mas uma mudança estrutural na natureza do risco digital. O que antes era visto como um problema técnico, restrito às áreas de TI e segurança da informação, passou a impactar diretamente a continuidade dos negócios, a estabilidade financeira e a confiança institucional. As perdas mostraram que o risco não se limita mais ao perímetro tecnológico das organizações e, sim, a todo o ecossistema, incluindo prestadores de serviços, parceiros tecnológicos e cadeias de terceirização.
Isso forçou o Banco Central a exigir controles robustos de identidade, rastreabilidade e governança ditados pela Gestão de Acessos Privilegiados (PAM), um dos pilares da proteção ao Sistema Financeiro Nacional.
E tem também a Inteligência Artificial direcionada ao crime, ressalta Dastis. Antes a IA auxiliava operadores humanos, agora as ofensivas cibernéticas são executadas quase sem intervenção humana direta, em velocidades inalcançáveis por equipes tradicionais de defesa. A resposta, diz o especialista, tem também de ser com IA, só que para defesa. Automação, detecção baseada em anomalias, análise comportamental avançada e respostas orquestradas tornam-se indispensáveis. Fica o alerta, antes de uma pane generalizada nos sistemas gerenciais e financeiros.